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Investimento vai alastrar do centro a outras áreas

27 jun 2017
Investimento vai alastrar do centro a outras áreas
Imobiliário tem espaço para progredir e há oportunidades em vários segmentos. Mas os riscos também existem, alertou debate no aniversário da consultora Quintela & Penalva
O imobiliário nacional “ainda tem espaço para progredir significativamente”, num momento em que “o grande promotor da construção em Portugal tem sido o choque externo” e “o turismo”. De acordo com o economista João Duque, o mercado vive uma fase de “desequilíbrio entre longa e curta duração. Esta desproporção com certeza que terá o seu equilíbrio. Mas a construção exige tempo e maturação da oferta adequada”, pelo que “a incorporação de serviços mais interessantes para segmentos específicos, por exemplo, faz todo o sentido”.

No decurso da sessão que celebrou o 13º aniversário da consultora Quintela & Penalva, o docente do ISEG referiu que “o motor da economia portuguesa chama-se choque externo, e não está nas nossas mãos”, ou seja, “como vem pode ir embora”. Assim, a questão que coloca à reflexão é: “Em que medida temos capacidade de continuar a promover este interesse no país?” 

Na sua perspetiva, “estamos a crescer com preços competitivos, e isso é muito bom. Temos de tornar Portugal mais atrativo e flexível”. Por outro lado, “ainda estamos a sofrer o efeito da abertura dos nossos preços ao mercado internacional”, mas previne que “a diversificação é importante para a sobrevivência das empresas” e “aumenta a sua capacidade de resiliência”. 

Por sua vez, Hugo Santos Ferreira, secretário-geral da APPII, sustenta que “o maior desafio que os operadores enfrentam é estender o bom ciclo o mais possível”. Para tanto, afirma, “temos de apostar também no mercado interno. Hoje estão cá os estrangeiros, mas amanhã poderão não estar”. Por outro lado, refere ser necessário “alargar o investimento do centro para outras áreas”. 


Riscos futuros

No momento atual, Lisboa “está a atingir picos de valorização” que “dificilmente irão ainda mais longe”. Na opinião de Francisco Quintela, partner da Q&P, “Portugal era um eterno desconhecido”, que “as pessoas começaram a conhecer”, com todas as suas valias: “segurança, luz, baixo custo de vida, estabilidade social”. 

Assim, sublinha, o “turismo está num desenvolvimento tal que leva a que o arrendamento de longa duração comece a quebrar”. Todos os promotores “estão a fazer habitação para short term, não estão a pensar na colocação do produto no fim. Não é ao português que vamos entregar T0 e T1, é preciso pensar algumas medidas executivas para pensarmos mais longe”, aponta.

Em relação ao perfil do investidor, Carlos Penalva nota que existem “vários perfis”. Mesmo “os portugueses de classe média estão a investir no imobiliário”. A realidade “média portuguesa anda à procura de investimento alternativo à banca, pelo seu risco e pela sua remuneração”. 

Porém, existe um risco, a médio prazo, que Carlos Penalva sublinha: “O mercado de compra e venda pode congelar” e os investidores poderão ter que assumir perdas dados os preços elevados pago pelo imobiliário. “Vão assumir taxas mais baixas no valor da renda?”, questiona, “porque os valores estão muito elevados. Ou se assumem perdas na venda ou no rendimento”. Mas, para já, “estamos num mercado de total crescimento, em termos comparativos de preços, não estamos neste momento numa fase de maturidade do mercado”. 


Oportunidades por explorar

Hugo Santos Ferreira refere que as principais oportunidades estão “nos escritórios, um dos setores que tem imensa falta de oferta”, mas igualmente “a reabilitação, o short term rental e o student housing”.

Na sua perspetiva, “temos de resolver um problema, que passa por construir. E como Lisboa não cresce, temos de começar a alastrar”. 

Também João Duque afirma que, “na prática, Lisboa é uma cidade fantasma de habitação”. Como “espaço em Lisboa não haverá”, “vai crescer com certeza a oferta”, estima. “As yields e os investidores vão acabar por perceber que é interessante ter um rendimento de longo prazo diferente do curto prazo”, “pelo risco e pela estabilidade”, conclui. 

Fonte: In Público Imobiliário


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